Origem Próxima

O Grupo Espírita Regeneração foi fundado pelo Dr. Bezerra de Menezes no dia 18 de fevereiro de 1891, nas dependências da Federação Espírita Brasileira.

Na oportunidade, era objetivo do Grupo reunir-se para estudar as obras do pentateuco Kardequiano e os Quatro Evangelhos de Roustaing. Mas, e principalmente, para realizar sessões mediúnicas, objetivando esclarecer irmãozinhos desencarnados que haviam sido adversários implacáveis do espiritismo, principalmente os clérigos e os materialistas que publicavam, quando encarnados, autênticas diatribes contra a doutrina espírita e os seus seguidores. Há indicações de que os confrades Bittencourt Sampaio, Antonio Luiz Sayão, Frederico Junior, Pedro Richard, Manoel Seve, José Ramos, Matos Cid e outros acompanhavam o nosso Bezerra, nas sessões mediúnicas de amparo aos espíritos sofredores.

Bezerra de Menezes manteve-se na direção do Grupo até 11 de abril de 1900, quando desencarnou. No dia de seu sepultamento (12 de abril de 1900), comunicou-se, às 19:00 H, psicograficamente pelo extraordinário médium Frederico Pereira Junior, trazendo a comprovação de sua existência e a palavra de ordem para que o Grupo continuasse sob a direção do companheiro José Ramos, já que a espiritualidade o havia observado quanto à importância que o Grupo teria na paisagem espírita de todos os tempos. Constatou, também, a existência do Grupo Espírita Regeneração na erraticidade, precedente ao Grupo por ele fundado com o mesmo nome em 1891.

José Ramos dirigiu o Regeneração, sob a orientação de Bezerra de Menezes, até o ano de 1938, quando desencarnou. Substituiu-o o confrade Oscar Guimarães, que, a pedido de Bezerra de Menezes, passou a dedicar-se às tarefas assistenciais em benefício dos encarnados. Por dez abençoados anos, Oscar Guimarães dirigiu o Regeneração, até que, em 1948, foi substituído pelo Dr. Alcides Neves Ribeiro de Castro, médico conceituado, que simultanizou sua dedicação à medicina à sua dedicação ao Regeneração. Alcides de Castro, já então o quarto Presidente do Grupo, teve papel de extraordinária relevância nele. Amigo íntimo de Chico Xavier, Alcides de Castro tinha orientação direta de Bezerra de Menezes referentemente ao destino do Grupo. Em 1952, já há quatro anos na Presidência, Alcides recebeu de Wantuil de Freitas, então presidente da Federação Espírita Brasileira, o apelo para que o Regeneração deixasse a sede da FEB, já que os trabalhos na Federação haviam-se desenvolvido em níveis que não suportam alocações outras senão as das próprias atividades da "Casa Mater".

Começa, então, um novo ciclo para o Regeneração. Por desfrutar a já mencionada intimidade com Chico Xavier, Alcides vai ao seu encontro para indagar de Bezerra que providencias tomar ante a essa conjuntura adversa, já que o Grupo não possuía recursos para manter-se fora da FEB. Após conversa demorada com Chico, Alcides obteve de Bezerra a resposta de que o Regeneração não podia extinguir-se jamais, e que essa transitória adversidade era justa para por os companheiros em prova, para que eles evidenciassem seus testemunhos de amor ao espiritismo, e de que o Regeneração era um de seus redutos inexpugnáveis.

Alcides retorna ao Rio de Janeiro, com a incumbencia de elaborar um estatuto, com o objetivo de dar ao Regeneração personalidade jurídica e o reconhecimento de sua individualidade. Para a tarefa, Alcides convida um advogado, amigo seu, para que juntos pudessem dar cumprimento ao pedido de Bezerra. Terminado o trabalho, Alcides retorna a Chico exibindo o estatuto elaborado. Para sua surpresa, Chico, sem ler, o devolve a Alcides dizendo-lhe carinhosamente: "Dr. Bezerra manda dizer que está muito bonito e bem feito, mas que está faltando mais amor nas palavras". Diz, também, que gostaria que o senhor (Alcides) deve elaborar o estatuto sozinho, sem ajuda técnica, deixando fluir o amor que o senhor tem pelo espiritismo e pelo Regeneração, que ele fundou para que nele todos aprendessemos amar a Deus. Pede, também, para que se acrescente ao nome "Grupo Espírita Regeneração a expressão "Casa dos Benefícios", por se esse o nome com que o Regeneração se identificava, na antiga Roma do século V, em prédio que ficava nas cercanias daquela cidade, no alto de uma colina; mas essa era uma história que ele prometia contar, oportunamente, para que soubéssemos a origem remota do Regeneração que ele havia fundado em 1891. Seguindo a orientação de Bezerra de Menezes, Alcides de Castro que exercia exaustivamente a profissão de médico, especialista em hanseníase, todas as noites, no recesso do seu lar, sentava-se à sua mesa de estudo e, após prece fervorosa, escrevia o estatuto do Regeneração, emprestando todo o seu sentimento, tal como havia recomendado Bezerra.

Terminada a tarefa, Alcides retorna a Chico entregando-lhe o estatuto, que ele havia elaborado sem técnicas jurídicas, mas eivado de seu amor que, segundo ele próprio confessou mais tarde, não sabia que podia possuir. Tal como fizera anteriormente, Chico recebe o estatuto e não o lê; só que, desta vez, ao invés de devolvê-lo a Alcides, molha a pena na tinta e assina no final do estatuto: Adolpho Bezerra de Menezes. Instantes depois assina, embaixo, José Ramos (segundo Presidente), a seguir Oscar Guimarães (terceiro Presidente), depois, molha novamente a pena na tinta, entrega-a a Alcides, dizendo: "Dr. Bezerra pede para o senhor assinar também, mas como o senhor está no mundo dos chamados vivos não precisa de minha psicografia".

Sobre esse episódio há um detalhe interessante, e que tem sido mantido em sigilo porque poderia ensejar uma dúbia conclusão. Mas o fato é que ocorreu e, hoje, não vemos razão mais para mantê-lo guardado. Naquela oportunidade, um companheiro do Regeneração submeteu a assinatura do Dr. Bezerra de Menezes a exames grafotécnicos junto às autoridades competentes, e obteve o laudo de que ela era absolutamente autêntica. Em verdade, nós não precisávamos dessa confirmação.

Mas voltando ao nosso Bezerra, ao nosso Chico e à aprovação do nosso Estatuto. Tudo isso ocorreu no dia 26 de abril de 1952. Nesse memorável dia estavam presentes, junto com Alcides de Castro, mais 21 companheiros, entre eles uma querida irmã, católica de formação, advogada e professora, formada pela Pontifícia Universidade Católica, cujo nome passaria depois para os anais do Regeneração como um exemplo de generosidade. Essa menção se deve ao fato de que, após a aprovação do Estatuto, Alcides perguntou a Bezerra, pela sacrossanta mediunidade de Chico, quais os companheiros que deveriam compor a Diretoria. A resposta foi de imediata "o senhor permanecerá na Presidência, e os outros demais Diretores deixo a critério dos meus amados filhos; pediria apenas que aquela querida senhora assumisse o cargo de primeira Secretária". Diante desse apelo a nossa companheira Leda Pereira da Rocha mostrou-se embaraçada e argumentou: "Mas eu sou católica. Estou aqui a convite do Dr. Alcides, a quem estou vinculada profissionalmente". Novamente a resposta foi imediata: "Por enquanto... minha filha, por enquanto...".

Saídos assim de Pedro Leopoldo – Minas Gerais, onde residia o nosso Chico, e já no Rio de Janeiro, depararam os companheiros com novo problema: onde reunir o Regeneração e onde fazer a ata institucionalizando-o como queria Bezerra de Menezes? Foi quando Alcides de Castro, baseado na orientação de Bezerra, sugeriu a nossa Leda a "Reunião Institucionalizante" fosse realizada na casa dela e a ata por ela lavrada, já na condição de Primeira Secretária. Leda, solteira na época, e residindo com sua mãe, na Praça da Bandeira nº 133 (antigo 189) casa 3, esclareceu que não sabia ser possível, pois sua mãe era católica praticante e talvez resistisse à ideia de fazer-se em sua casa uma reunião espírita. Mas quando Leda lhe levou o assunto, prevaleceu o amor pela filha, e a reunião aconteceu em sua casa, cuja ata transcrevemos neste espaço, na forma original:

Institucionalizava-se assim o Regeneração, que ocupou vários endereços em sedes alugadas, até que Alcides comprou uma casa, na Rua Professor Eurico Rabelo, 51 – Maracanã – Rio de Janeiro, e colocou-a em nome do Regeneração, reservando para si e sua esposa o direito de usufruto. Por possuir dois andares, Alcides e família moravam no 2º andar, e, no primeiro, passou a funcionar o Regeneração, então em sua primeira Sede própria.

Em 1964, o nosso Dr. Alcides Neves Ribeiro de Castro desencarnou, dando um testemunho inequívoco de ter absorvido, ao longo daquela sua reencarnação, os ensinamentos postulares do Consolador Prometido, tal se depreende de sua entrevista com o nosso inolvidável Geraldo de Aquino, já nos extertores de sua morte física, da qual conservamos o registro fônico, nos arquivos do Regeneração.

Os companheiros dirigentes do Regeneração que, periodicamente, visitavam o nosso Chico, mais uma vez o procuraram. Desta vez para perguntar a Bezerra de Menezes quem deveria suceder a Alcides. Prontamente obteve-se a resposta de que, até se estar conscientemente preparado para fazer-se a primeira eleição sem consultá-lo, a Presidência deveria ser concedida ao nosso querido e sempre lembrado Dagoberto da Costa Guimarães.

Em 1966, o Conselho do Regeneração, em reunião específica para a finalidade, elegeu estatutariamente, e pela primeira vez, o nosso companheiro Dr. Dilermando de Castro, que permaneceu por 11 anos à frente do Grupo. Durante as sucessivas reeleições do nosso Dilermando, o Regeneração recebeu em doação os prédios 607 e 609 da Rua São Francisco Xavier – Maracanã, para lá transferindo-se em 1968 e lá permanecendo até hoje (2013).

Em 1977, tal como Dr. Bezerra de Menezes havia previsto, a então querida senhora católica em 1952, Leda Pereira da Rocha, foi eleita, pelo Conselho, Presidente do Grupo Espírita Regeneração – Casa dos Benefícios, permanecendo no cargo até o seu desenlace, ocorrido em 2004. No decurso de sua gestão, houve uma preocupação acentuada referentemente ao atendimento ao velho e à criança (abrigo e creche). Mas o que mais identificou o perfil de Leda Rocha como Presidente foi a sua generosidade por todos indistintamente. Ela deixou exemplos incontestáveis de amor ao próximo, e tornou-se íntima do Chico Xavier, a ponto de sempre hospedar-se em sua casa, participar de reuniões espíritas nela, e reservar os finais de ano (Natal e Ano Novo) para passar em sua companhia. Graças à intimidade de Leda com Chico, o Regeneração possui hoje um acervo considerável de recados de Bezerra de Menezes, orientando os trabalhos do Regeneração.

Com a passagem de Leda Rocha, no dia 25 de fevereiro de 2003, assumiu o Regeneração sua Vice-Presidente, Leda Bandeira Vidal, que permaneceu no cargo durante trinta e quatro dias, até que o Conselho se reunisse para eleger um novo Presidente. Assim, no dia 29 de março de 2003, foi eleito para assumir a Presidência do Regeneração, o Dr. Walter Pereira Alves, então Conselheiro e Diretor, amigo de Leda Rocha e de Chico Xavier, e discípulo fiel de ambos, tendo sido preparado por Leda ao longo de sua convivência com ela para dar continuidade a sua obra, que ela não pode concluir pelo peso da idade e por insuficiência de saúde.

Walter Alves tem sido mantido no cargo até hoje (2022). Suas reeleições ocorrem sempre por aclamação, e ele continua alegando que ser Presidente depois de Leda Rocha é muito fácil. Reforçando sua afirmação, declara ser fácil principalmente por receber orientações, primeiramente, só de Bezerra; depois de Bezerra e de Chico; e agora de Bezerra, de Chico e da própria Leda. Segundo Walter, o Regeneração de hoje é comandado pela espiritualidade, e ele é um mero instrumento, portador indireto de mensagens que lhe dão a receita do bolo.

Para tomar conhecimento das inúmeras transformações por que vem passando o Regeneração, e por aquelas que estão estimadas acontecer, retorne à página inicial e clique no link do seu interesse. Mas fica o registro de que vale à pena conhecer-se a origem remota do Regeneração.